sexta-feira, 29 de agosto de 2008

MUITO MAIS QUE UM MINUTO DE SILÊNCIO

Hoje, um silêncio me acordou.

Um silêncio que insistiu em tomar conta dos meus primeiros minutos do dia. Um silêncio que prevalece em meus sentimentos, pensamentos e palavras. Um sentimento familiar, um sentimento reconhecido de suas amarguras e todo o contratempo que tem direito.

Uma manhã na cidade mais movimentada do país que ficou em silêncio, um silêncio paulatino que foi tomando conta de tudo à minha volta.

O vento resolveu não soprar, para que as folhas não fizessem barulho, o carros deixaram de ser barulhentos e suavemente passeiam de uma lado para o outro, as cosntruções deram uma pausa em seus bate-estacas, os telefones não tocaram aquela manhã, vibraram com toda a sutileza que poderiam, apenas o suficiente para levar as notícias necessárias.

As pessoas comungavam do mesmo silêncio e deixaram de conversar. O metrô andou mais rápido naquele dia, até parece que sabia da urgência dos fatos dos que nada mais poderia ser feito....

Este é o dia de rever os filmes antigos, o dia em que cada um compartilha consigo sua história, dor, culpa, lágrima, lembrança de um fato mais que consumado. E o que resta é o balanço que cada um faz dentro de si, obrigando-nos a conviver com o resultado que cada um descobre.

Numa sexta-feira com cara de domingo de feriado, daqueles onde se vela a partida do dia, mas desta vez, velas como ornamento de mal gosto, com a intenção de iluminar algo que eu ainda não descobri, algo em um dia que se torna tão cinza em suas vírgulas de um segundo ao outro, vírgulas que revelam uma eternidade de minutos de um silêncio que invade até as conversas de pensamentos.

Momento de tantos questionamentos de um silêncio ensurdecedor. Com a esperança de chegar lá e ver que tudo não passou de um engano e de quem eu tanto amo não estar lá. Mas basta. Basta para transbordar a saudade que mal nasceu, mas que agora, parece a espada mais afiada do melhor soldado do rei.

A tristeza se agrava com os filmes tristes que nos custam rever involuntariamente, se agrava com os segundos eternizados pelas vírgulas, se agrava com o silêncio que o mundo traz inutilmente como um consolo, se agrava pelas alegrias que juntam-se para impotentes colorir o que já não se colori mais.

Lembro-me de um filme: "Coisas que a gente perde pelo caminho" e parte de mim deixo para trás, ela leva consigo, leva para um lugar que eu ainda não conheço, sem dizer adeus, sem pedir licença, sem uma palavra sequer, apenas leva, leva para sempre, sem ao menos me dar direito a... a nada.

Nada.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CONTRAPÉ

E eu me vi ali, diante de mim, naquela mesa.

Tomada pelo nervosismo, o que a faz atrapalhar-se nas palavras; me descrevendo, dizendo ali na minha cara, refrescando minha fugaz memória, da mulher que um dia existiu dentro de mim. E ela foi falando de si, de como preferia ser, de como preferia agir, abrindo seu coração com as mesmas quatro letras da coragem – isso foi proposital? – rasgando em verbos, sujeitos e predicados como decidiu viver a vida, me inundando de lembranças de quando eu sonhava.

Ouvi tudo, como alguém que recebe instruções antes de sair de casa, mas no meu caso, de alguém que vai continuar a viver. Vejo um fio de cabelo em um dos meus travesseiros, não é meu; martela novamente em meus pensamentos dos “lembretes” recitados por ela, de como ela enfim “escolheu” viver sua vida; automaticamente lembro-me de como me olha e de como me puxa para seus braços que se entrelaçam seguido de um beijo que degusta meus lábios de forma que eu não me lembro de terem sidos saboreados assim.

Dentro de mim um tornado de sentimentos e falta deles, tento me encontrar, mas não consigo já não me reconheço mais.

Os detalhes me surpreendem, confesso atônita, passa mãos e unhas em minhas costas incansavelmente, percebo que o faz se deliciando, não lembro ter recebido tal feito antes dessa forma; onde eu estive neste tempo todo? Me assusta. Me encanta. Como abrir meu coração se eu não sei onde encontrá-lo? Muito menos o que há dentro dele, tenho uma vaga lembrança do que guardei há muito tempo atrás.

Descubro-me relaxada e calma e percebo os afagos em meus cabelos, agora sei porque os gatos fazem aquela cara! Seu corpo fala mesmo que distante do meu o quanto me quer bem, o quanto tem de desejo de aconchego.

Pensamentos ruins me interrompem, não entendo me cobro por coisas que ainda não descobri, o que ainda não sei e que me faz tanta falta.

Retorno meus pensamentos nela, sinto coisas boas, mas sinto, porque quem não gosta de receber carinhos e cuidados de um coração quente? Sinto de novo, desta vez sinto muito, por ainda não ter me achado.

Penso nela, ela está dormindo.

06/dez/2007-Faby

CAFÉ BOURBON

Você chegou, me encontrou assim
Meio de lado, quase parado
E o pensamento em vão
Seu charme, sua pureza
Me diz com franqueza
O que tem no coração
Olhos nos olhos, cartas na mesa
Chocolate gelado
Leio seus lábios, sinto tua mão
Sentimentos esquecidos, garoa no vidro
Buzinas lá fora, me encanta o seu sorriso
Vejo o tempo passar
Aqui fora está frio e eu querendo te abraçar
Te aconchegar em meus braços
Um beijo molhado quero te dar
Vivo pensando em você, não consigo esquecer
Procuro respostas
Penso em novas notas para sua canção eu tocar.

Faby - jun/2007