domingo, 1 de maio de 2016

Domingo a tarde.



E ela parou para e em mim
Cessou-me às tuas cores e dissabores
Aos teus As e todo o abecedário

Irredutível a que?
A vida segue, bailo.
Porque tatuou-me, 
Sim, deveria ser uma pergunta
Mas meu coração afirma

Certezas que desconheço
O número de anos e experiências 
É incrivelmente desproporcional 
À infinidade de novos sentimentos
Em eterno aprendizado

Aprender e aprender é a matriz da vida
O Universo nos atende a cada desejo
Meu peito aberto onde as ondas se quebram
Sem dó, sem piedade alguma da entrega do novo conhecimento

Dous alguns passos para trás no momento do impacto
A areia não ajuda, bamboleio, curvo meus dedos
Agarro a areia que desliza sob meus pés
Comparsa da onda que arrebenta em meu peito
Mira meu coração, não me alivia em nada

Sigo aprendendo, por amor à vida
Por amor ao universo, à espiritualidade
De imensidão infinita
Conecto-me à ela através da vida
Da vida que não me recuso a viver

Do mundo que não me recuso a vivenciar
Mesmo que seja por alguns minutos
Uma noite qualquer que me surpreende
Alguns dias que coleciono
Alguns períodos de semanas, meses ou anos

Me entrego e ela cessou-me.
Fabi 02.mai.2016

terça-feira, 19 de abril de 2016

Troca-se




Troca-se uma atencão bem intencionada
Daquelas de brilhar os olhos da donzela
Que passa com seu sorriso mais pelo jardim
Me encantando entre acácias e azaléias

Troca-se abraços, apertados e aconchegantes
Daqueles que curam pesadelos e temores
Principalmente das dores da alma
Dos amargos vida, amores e dissabores

Troca-se olhares cuidadosos
São eficientes nos momentos de silêncio
Daqueles distantes e despretensiosos
Que desvendam o que não foi dito em um milênio

Troca-se mãos fortes e delicadas
Para os carinhos de bem querer
Que esquentam os desejos ardentes
E que passam segurança para você vencer

Troca-se beijos cheios de segredos
Daqueles que tiram o folego e o tino
Calam quando as palavras tornam-se fúteis
Selando os desejos mais íntimos 

Troca-se um coração ardente
Daqueles imensos e aconchegantes
Que perdoa, ama, luta e sente
Como nunca tiveste visto antes

Troca-se a eterna paciência do sentir
que faz da cumplicidade um alicerce
Construindo imponentes castelos
Para vivermos a felicidade que me deste

Troca-se
Meu amor quente à fagulhas mil
Quando ainda sim a noite lhe traga o frio
Ao querer esfriar o que seu coração mais acredita
Eu esteja aqui para aliviar-te horas a fio.


                                                                                                                                                                                         Fabi  20.abr.2016

O Velho e o Novo



Diante do futuro que eternamente está por vir.
O mundo, este vasto mundo dentro de mim, encontra-se ao velho mundo afora, de um horizonte a perder de vista. Como no encontro das águas, só que neste, águas revoltas em sua alma.
Delicada assim como o véu das virgens que se apressam para mais um dia de sua devoção. Ahn, a fé.
Fé esta que me enche de vida enquanto eu vejo a vida dançar provocante à minha frente.
Tamanha sensibilidade que me empodera das descobertas nunca antes tocadas em corações alheios, me tona frágil, assim, como aquele velho véu das virgens. Frágil quando vejo em seus olhos contrariarem as palavras que saem de sua boca.

Cheia de sonhos, encantamentos e olhos brilhantes para o futuro.
Futuro este que assusta ao chegar robusto, assoviando como uma garota peralta, saltitante, vinda de longe e enlouquecida para chegar, carregando uma grande parte de seus pedidos d´alma em sua singela carruagem. Porque para pedidos delicados e grandiosos, se faz necessário doses moderadas de elegância e de grata surpresa, que alegra primeiramente aos ouvidos com a notícia, depois aos seus olhos, amendoados e brilhantes, que ora fogem, ora me encontram ao meio da noite e da chuva que nos saúdam o nosso encontro das águas.

E não pouco importante o tal mundo lá fora, que me apresenta um novo mundo aqui dentro, quase um Big Bang, e que em poucos, até ela, esta alma desgarrada da fé de um mundo e um futuro tão sonhado, regado à infinitas possibilidades de ser um ser-humano-novo-em-seu-próprio-mundo-velho, se opõe, inexplicavelmente aos olhos torcedores, que se arregalam sem respostas, marejam, fecham, abrem, marejam, fecham e desviam-se.

Desafia as leis da obviedade, firmemente, corajosamente. Abre-se o caminho na multidões de corações alados, todos em respeitosa condolência ao ver Eros, assim, desafiado tão singelamente pela bravura de fazer-se mundo de si só.
Fabi  19.abr.2016

domingo, 10 de abril de 2016

Do que não é raso.





Eu não tenho uma letra sequer
Para combinar com algumas outras enfim 
E formar as palavras que preciso
Para traduzir o oceano que há em mim

Trasbordo

Fecho os olhos e apenas sinto
Meus pensamentos viajam na velocidade da luz
Mal consigo acompanhá-los
Solto meu corpo e deixo-o para ver o que me conduz

Transbordo

Questiono o Universo: Porque tanta crueldade?
Faz de mim azes, rimas e versos
Rouba-me as respostas que necessito
E faz de meu horizonte um tanto transverso

Transbordo

Minha alma segue amordaçada e impotente
Diante de tamanha coragem em abrir mão da felicidade
Silencio os gritos de bem querer dentro de mim
E assisto os sentimentos se desfazendo em saudade

Transbordo em mim.
Fabi 10.abr.2016

terça-feira, 29 de março de 2016

Ela e "ela"




Ela, é a flor da noite
Enquanto "ela", cultiva o jardim
Ela passa e não percebe
O quanto "ela" rega, enfim

Ela, permanece ausente
Enquanto "ela", lhe busca em seus pensamentos
Ela passa e não percebe
A magia preparada para aquele momento

Ela, menina-moça, se posiciona nas muralhas imponentes de seu castelo
Enquanto "ela", se abre para viver sem barreiras, o melhor da vida
Ela passa e não percebe
Que o melhor da volta, é a boa cia da ida

Ela, guarda seu tesouro e se distancia do "viver de fato"
Enquanto "ela", demonstra que pode cuidar do que é mais valioso
Ela passa e não percebe
Que só tem valor, quando ao ourives certo seu tesouro é exposto

Ela, usa da sinceridade não muito sincera para viver as "coisas do coração"
Enquanto "ela" busca lê-la, alma, corpo e coração, por completa
Mas Ela passa e não percebe
Que a felicidade bate à porta dela

Ela, cheia de teorias em busca da fórmula da felicidade
Enquanto "ela", mistura deliciosamente experiência e sentimentos
E de novo, Ela passa e não percebe
Quão bom deixar-se saborear pelos beijos e acalentos

Ela, diz que busca esse ou aquele coração
Enquanto "ela", prefere observar cuidadosamente os corações que cruzam seu caminho
Ela passa e não percebe
Que ao seu lado está um desses corações transbordando de carinho

E Ela, de passar a vida de olhos fechados para mentalizar seus ideais
Enquanto "ela", para as coisas da vida, de olhos bem abertos e atentos
E novamente Ela passa e não percebe
Que a verdadeira felicidade é vivida na entrega e cultivada em um ímpar momento
E que, Ela, por qualquer motivo que seja, tem deixado passar a vida pelos olhos de seu coração frágil e desatento.

Fabi 29.mar.2016