sábado, 26 de outubro de 2019

O mar em mim





Hoje o mar fez-se calmo
Em sua imensidão de bordas infinitas
Eu o observo aqui da areia
Esfolada, ralada de ser presente um dia de ira

Hoje a vida fez-se dócil
Nem parece a mesma que arrebentou o meu peito
Dá-me trégua, tomo um ar, me recomponho
Cuido das feridas, do corpo, da alma e do pouco que me restou direito

Hoje o amor faz-se presente
Chega tímido, calado, sem dar explicações
Traz calor, desculpa-se no olhar
Retoma seu lugar que nunca se fez ausente

Hoje o dia foi de sol
Nos leva a praia, nos despe a alma e o corpo
Reencontro o  mar, o mesmo que estive em suas tormentas
Vejo o amor, colorido, sinto o vento,
Me vejo ao longe e devagar assisto ao meu retorno

Fabi_19.mai.19

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Cá dentro


De todos os recomeços
Este foi o mais intenso
Da vida e seus tropeços
Foi este sem alento

Do malabarismo da vida
Tornou ao chão o que equilibrava-se
E harmoniosamente funcionava
Ao compasso, sua estabilidade fixava-se

Assistir ir embora o amor-próprio
A bondade, a sensatez, a alegria
Em uma avalanche que me esmagava
Impossível ter o controle da própria vida

Meu bom coração foi perdendo o tino
A cor, a luz e o sorriso conhecido
Tentando adaptar-se ao que julgava novo aprendizado
Não percebeu a linha tênue do que é benevolência e maldade premeditada

Dores nunca vividas comprometeu o discernimento
Do que é certo e permitido
Do que é cuidado e do que é arrependimento
Do que é confiança e amor verdadeiramente dito

Em nome de ideias de fraternidade
Fé nas transformações e disposições
Mergulhei, abracei, me dediquei
Acreditei piamente nas melhores intenções

Ao passar o tempo, desconfiei que havia algo errado
Ignorei, acreditei novamente no amor humano
Aceitei como novo aprendizado considerando o tempo
Que revela toda a verdade qualquer ser humano

Eu estava a considerar, a revelar meu lado bom
Mas a vida quem me mostrou o contrário
Eu é quem deveria estar atenta
Aos sinais sutis que eu ignorava-os

Para você que ve a vida como eu
Quando tudo for tormenta e parecer não valer a pena
Saiba que o universo prepara o seu livramento
Depois das dores, entenderá os desígnios e concatena

Eleve seu coração diante do ódio gratuito
Transborde amor diante do desprezo intencional
Tenha compreensão quando não te considerarem em nada
Pois a prova e expiação é para todos
E só o coração que transborda atitudes de amor é quem vence no final

Depois dos ataques, tristezas e decepções
Vemos a vida florescer surpreendentemente a sua volta
E descobrimos o quanto nos doamos verdadeiramente ao outro
Ao reencontrar-nos em tudo aquilo renunciado, reviravolta

Não há arrependimentos no coração verdadeiro
A sensação é de dedicação leal cumprida como ninguém
Alma preenchida do que foi dado de amor genuíno
E a compreensão de que cada um valoriza com o coração que tem

E nessa linda fase em que novamente me inspira a escrever 
E flui surpreendentemente os bons frutos colhe
Percebo que revive esta alma e coração nobre
Leal aos princípios do amor, que semeia e não tolhe

Depois de várias páginas escritas
Contente penso que preciso parar
É lindo ver como flui lindamente as palavras
De um coração leve, desintoxicado e que transborda amor para doar

Finalizo então minhas humildes rimas
O mar ali atrás me chama à vida
O sol me aquece e entusiasma a calma
Dizendo: vai menina! O mundo é teu, há muitos apaixonados por sua alma!

Fabi_Ago/2019 

Intuição



Seriam os sentinelas a esperança?
Pensamentos tão sozinhos
Ecoam no silêncio de minha alma
Que rasga afiada como lança

Depois de tanto trabalho
Depois de retirado tudo o que era preciso
Me deparo com a imensa sala vazia
Fria, em penumbra e sem cor
Uma mistura de alívio e de "jazia"

As paredes refletem uma tristeza calma
Sozinha, serena, envelhecida e relexiva
Um adeus necessário e acolhido
E na pele ainda aquela sensação do abraço de ida

Um passado presente no vazio
Busco inspiração para as novas esolhas
Tudo que encontro é um coração
Esfolado, traído, mal cuidado
E um bocadinho de lembranças boas

Ouço a calma, ainda sinto vida
Em paz com todo aquele vazio
Triste, pela tristeza silenciosa
Velo por tudo que ali preenchia, ter ido

Permito-me ao tempo que é preciso
Observo calada ao meu redor
Como um comboio prestes a partir
A espera da hora certa a seguir

Aproveito aquela imensidão
Busco anseios, desejos e inspiração
Há fagulhas que me animam
Mas não suficientes para encher um coração

Tenho saudades do que era radiante
Da alegria inabalável e contagiante
Hoje nem as rimas se organizam
Vem primeiro o que era depois
E para o fim, o que era antes

Daquele coração que sentava e escrevia
Sem pausas, como alguém que retrata o que viveu
Hoje fica horas a olhar para o papel
Com a caneta em riste, a observar para dentro de si, o breu

Exprimir a sala vazia, escura e silenciosa
É viver a tristeza sei lá quantas vezes
Ela não permite-me palavras elaboradas
E faz pesar as rimas por muitas vezes

Insisto em dizê-la que a vejo
Que estou atenta e deixo-a despercebida
É preciso o tempo e seus efeitos
Não que seja a panacéia depois da tormenta
Que talez seja a luz para a própria vida

O tempo muda de valor a essa altura
Faz-se dia a própria noite
Os segundos viram horas à revelia
Descompassa para que à nós, ela seja justa

A isto exige-nos afinal os ouvidos da alma
A reconhecer as notas da nova música
Que em silêncio absoluto, nos ensurdece
Por trazer nós de nós mesmos na forma mais pura

Lidar com isto anestesia
Procuro reações pensamentos e explicações
Me procuro, busco em cada detalhe da vida
E só há: quarto vazio, eu, o silêncio e as emoções

Fabi_05.Jul.19

sábado, 17 de agosto de 2019

Graça

Pequena Graça

Como dizia Vinícius
Sim, que coisa mais linda, mais cheia de graça...
Sim é ela que passa, que vem e que fica
Nos caminhos da vida, vem em meu peito e laça

Me agracia entre outras linhas
tão cheia de vida, por mim passa
Certa de suas idas e vindas
Menina moça que atende lindamente por Graça

Teu nome anuncia a que veio
Dentre os poucos privilegiados
Agracia meu coração surrado
Com seu beijo, seu toque, seu cheiro

Dentre as durezas da vida
Que sem dó tomou-lhe os sorrisos infinitas vezes
É preciso olhar além, no fundo de sua alma
Para encontrar a graciosa mulher e seus prazeres

O tempo lhe ensinou a ser forte e construir
E a paciência tornou-se sua maior virtude
Contagiou os seus com toda sua graça
E suas histórias ouvi mais atenta que pude

Admiração é uma palavra pequena para expressar
Perto da imensidão de uma alma tão grandiosa
Que recebe graças infinitas por sua vida e por onde passa
Ainda torna-se mulher tal qual graciosamente carinhosa

Porém, de todas as graças que te encantam
Encanta-nos, nós reles mortais agraciados
Por essa mulher e em sua força, por ela ainda desconhecida
Fica sem graça, sorrateira foge por entre tantos olhares desviados

Assim sendo, sua graça invade minha alma
Intensa, profunda, conecta-se inexplicavelmente
Me envolve em seus encantos e acha graça
Ao me ver encantada por ela perdidamente!

F.B. 15.ago.2016

sábado, 6 de julho de 2019

Sobre tudo


Essa noite fiquei vendo nossas fotos
um frio na barriga
uma saudade imensa
sentir sua pele, seu calor
sentir você
seu amor
Seu bem querer incondicional por mim
por nós
por uma historia que ainda está por vir
seu companheirismo me comove
me toca
mexe comigo
nem sei se sou merecedor
o medo vem em avalanches
as letras ficam embassadas
meu peito explode
preciso me desfazer de minhas tristezas
De meus nós na garganta
Me libertar
Sinto falta de sua meiguice
De seu sorriso
Do seu abraço e seus carinhos
Do seu enroscar
Gosto de te ouvir
De nossos programas, do nosso lado a lado
Você é incrível
Gigante
De uma sensibilidade única
ímpar
Eu te testo, não se aborreça
É porque tenho medo
Você surpreende com suas reações
Gosto da paz ao seu lado
Da certeza que insisto em duvidar
Testo e retesto
Sonho alto
Apago tudo
Tento me reconhecer, me resgatar
Me reencontrar
Você é paciente, assim como precisam tudo que se planta
A terra é fértil
E as mãos que a prepara são sábias
Me redescubro em você
Divido as sensações maravilhosas e doses homeopáticas
A dor do coração estilhaçado me assola
Talvez seja a volta de um coma
Talvez a saída debaixo da cama, ou detrás da cortina
Talvez o descanso do que se tornou exausto
Meu coração se enche de alegria
Ao ver os felizes e poucos registros de nosso amor
me entusiasma de um tanto que inunda
Quero me transbordar em seu calor.

Fabi 27.mai/2017

Plenitude


Me pego pensando em você
Me perco onde tudo começou
Me pego feliz ao te (re)encontrar
Me admiro pela sua história e a pessoa que se tornou 

Nossa história começou sem querer
Num caminho quase que predestinado 
Nos deixamos levar pelo vento da vida
E nos encontramos na estrada dos apaixonados

Foram muitos questionamentos
Muitas conversas, vinhos, noite sem fim
Muita reflexão ao que estava acontecendo
De tudo o que estava dentro de você e dentro de mim

Nos permitimos, nos ouvimos e nos acolhemos
Nos conhecemos, nos encantamos e nos entendemos
Pulamos as etapas que o amadurecimento nos permite
E com coragem e cautela nos envolvemos

Trazemos na mala, vivências importantes conosco
Sentamos muitas vezes para falar devagarinho sobre o conteúdo de nossas bagagens
Descobrimos as guerras, os medos e as tristezas em comum
E também dos sonhos e formas de pensar que nos coloca em outro mundo, em outra viagem

Aprendi e aprendo muito com você
Me admiro ainda mais à medida em que nossa convivência progride
Me espelho em seu coração e o modo em que enxerga a vida
Sinto-me privilegiada em ter-te ao meu lado, não duvide!

Você transpôs barreira, mudou sua vida
Apostou, acreditou e fez para estar comigo
Reconheço e valorizo a coragem louvável
Quero ser ao teu lado a felicidade plena do amor amigo 

Sei que o turbilhão o qual estamos
É demasiado e nos prova a cada instante
Também sei que hoje sou formiga e você touro
Fortaleza mesmo com a fragilidade pulsante

Que nos leva, me arrasta e não me deixa
Triplica sua força em nome do que acredita
Suplico forças para amenizar seu fardo pois sei do seu cansaço
Mesmo me sentindo morta em vida

Desejo não te perder em mais nenhuma vida
Desejo te fazer mais feliz que o dia em que nos descobrimos casal
Levanto-me mesmo sem alma a não me vencer pela treva que me assombra
Pois você vale (e muito a pena), única em minha vida, não tem igual.


Fabi 27.abril.2018

Despedida APAE




Hoje é mais um dia em que o destino traça a sua história
Dia a dia, fio a fio vão se construindo as memórias
Das boas às ruins, até engraçadas tem para contar
É tudo o que temos, o que dá forma à vida
É praticamente a razão de nosso respirar.

Palavras transbordam de minh´alma
Como sempre acontecem para o que é especial
Atrevo-me a combinar algumas delas  
Para descrever tudo que se faz essencial

Hoje aqui, unidos por este destino travesso
Que insiste em badalar nossos dias dos certos aos avessos
No proporciona emoções e lágrimas certeiras
Por um fim do que já foi um início
E da despedida para um importante recomeço

De pouco ou a muito tempo que nossos caminhos que se cruzaram
O universo nos proporcionou riquezas nobres
Unimos forças e construímos histórias
Nas vidas de tantas famílias e proles

Descobrimos talentos e novas capacidades
Descobrimos até mais de nós mesmos com tantas boas novidades
Participamos das superações de quem era julgado "caso perdido"
Uma equipe assim, não tem como não ter o peito cheio de saudades!

Ter estado com vocês, foi uma das melhores delícias que a vida me presenteou
Este sentimento é um dos melhores do mundo e que pouca gente já provou
Sei que nossa vida é como um rio que nos mantém sempre em movimento
Nem tudo é calmaria, nem tudo é tormento
E no peito, alegrias e tristezas se misturam nesse momento

Na série de nossas vidas, o nosso episódio, é um episódio e tanto!
Teve de tudo um pouco, lindas amizades, amores especiais
Teve lutas vencidas, vitórias profissionais,
Teve até filho e uma nova família, o que vamos querer mais? 

Hoje mais uma história se encerra
E recomeça outra na vida de todos nós
Somos feitos do que deixamos no mundo
O que exalamos de bom ou de ruim tornam-se a nossa voz

Portanto, quero que saibam que a distância se torna pretexto
Para que passem a cada ano pensando em nós se programando para nos visitar
E que possamos continuar nossa mais nova história
Além do céu, além da terra e além do mar!


Fabi. 14.06.17

sábado, 24 de novembro de 2018

Utopia



Estou perdida
Perdida em meus pensamentos
Perdida em meus sentimentos

Fecho os olhos e imagino
Imagino desejo puro
Imagino carinhos delicados
Olhares profundos

Desejo um coração que ame
Sem voltar atrás
Que veio para ficar
Com coragem de manter-se vivo
Diante das particularidades

Mas que nunca perca o encanto
Tampouco o encantamento
Que cultive algum mistério
Para sempre me levar a ti e seu alento

Que deseje e sonhe
Que nosso compromisso longíquo com nossas almas
Garanta que todos os planos se tornem realidade
Cultivando-os com palavras e intenções mais que expostas
Entregues ao universo para que ele providêncie logo e não tarde

Fecho os olhos e imagino distante
É quase uma ousada utopia imaginar que você exista
E que se algum dia o nosso para sempre se encontre
Espero veemente que eu resista

Regado a cuidados e delicadezas de nossas almas
Para que nossas malas sejam feitas apenas para lindas viagens
Estando espontaneamente uma ao lado da outra
Assim, naturalmente como deveria ser
Sem surpresas desagradáveis

Que a coragem seja criada para estabelecer nossos sonhos
Em nossa tão sonhada realidade construída
E não adquirida para ir embora sem olhar para trás
E que seja apenas chegadas sem partidas

Que nossos corações sejam verdadeiramente acalentados
Sem bater na trave, sem quase e sem "poréns"
Em nosso dia construido dia a dia, lado a lado
Sob nossos olhares cuidadosos hoje e além


Me surpreender com seus olhos cheios de desejos e planos
De uma vida infinita ao meu lado
Sentir cada toque de carinho tão delicado como sua respiração
Sinto seu coração a bater em meu peito apertado.

Mar/2016

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Tempestade




Aperta minh´alma na visão turva
Do mar revolto em céu aberto
Da fúria das águas que me cercam
Léguas e léguas não avisto ninguém perto

O mar, esse infinito misterioso
Faz-se tempestade a quem lhe esteja
Lhe arranca todos os controles
Lhe despe, lhe desce, lhe tolhe o que mais deseja

Tira de ti a autonomia da vida
Da única coisa que te é certo controlar
Lhe mostra na prática que você é menos que um nada
Anos de construção e evolução, tudo para o ar

Em sua extrema fragilidade e impotência
Já não bastasse toda a angústima e sofrimento
Descobrimos os parasitas impostores
Sangue-sugas se alegram ao verem seu tormento

Lobos em pele de cordeiro
Causam confusão ao julgamento dos retos
são sutis e perspicazes em suas ações
É preciso sensibilidade para saber o certo

Seja qual for a tormenta e seus impostores
Seja qual for os desafetos e desamores
Recebo dos anjos tudo o que me é de direito
Luz e proteção quando tudo são temores

Suplico ao céu, em sua imensidão azul
Para que aquela águas em revolta
Não me afogue, não me destrua
Sem antes mesmo sequer de sentir-me de volta


Fabi_Abril/2018

Selva Arena Humana



Como em uma arena a duelar com os leões
A platéia cruel, sagaz, aclama por sangue
Não obstante, que sua diversão, ali, diante dos leões tem uma história
Dores, ruínas, vitórias e porque não quem vos ame

Se a roda da vida vira roleta-russa
Torna-te fadado ao ônus que te cabe
A hipocrisia das falsas ovelhas
Te margeiam esperando o seu abate

E se ainda lhe servir o seu couro à tapete
Será como troféu a vangloriar-se
Com discurso de que o mal já se fora
Entre falsos amigos à face

É quase inútil expressar-se das injustiças
É praticamente em vão defender o correto
O mundo é mesmo feito de monstros
Em suas várias faces do assumido torto ao falso-reto

O mar de pessoas hipócritas é de maré sempre cheia
A lei que rege é a da falsidade
As costas é onde eles amam estar
Em face sorriso largo que esbanja inverdades

Onde estava nesses 40 anos?
Porque me causa tanta indignação?
Nojo é a palavra que define
Ao ver esse mar de traição

Te tudo deveras que eu seja livre
Dessa lama, desses doentes, dessa afectação
Pois se o caminho foi por engano que entrei
Que se resolva brevemente correta direção

Fabi_Abril/2018

domingo, 9 de abril de 2017

Sobre o que fomos e o que somos!



     Levando em consideração a vida rica que nos cabe viver, não importa a quantidade de léguas que viajou, não importa mesmo, vale até para quem nunca saiu de sua cidade, mas sim, para quem viveu. De uma forma ou de outra conheceu mais da vida, mais do mundo que veio ao seu encontro.

     Somos feitos dessa experiência e vamos nos construindo, moldando e definindo nossas novas formas para estarmos da maneira que achamos mais adequada como um ser-humano-no-mundo.

     E a exatidão dos detalhes dos quais nos (re)construímos faz-nos viver com nossos prazeres descobertos dessa vida rica.

     Porém a maioria esquece que de tantos detalhes da vida rica que nos constroem, esquecemos de construir portões em nossos quintais.

     Vejo tantas pessoas que cresceram e floresceram, mas que, em suas novas verdades e estilos de vida definidos, em sua nova vida adulta, esquecem de que recebemos para doar experiências, para compartilhar...

     Não em uma forma de entrevista ou lições de alguém mais vivido, mas pela delícia da vida rica que tem um único propósito: navegar por outros mundos!

     Ficam tão maravilhados com o teu novo mundo de fadas, que esquecem suas raízes, seu passado e cessam as possibilidades de manter como soma, pois somos feitos de um passado crescente e um futuro que encurta a cada segundo.

     Fazer do presente uma bolha de "boas maneiras da vida enriquecida das experiências trocadas com as pessoas e com o mundo", faz crescente um passado de bolha e deixa para trás o passado cheio de vida e simplicidade que o fez chegar até aqui.

     Até para receber os tesouros do universo é preciso sabedoria, me encanta a pessoa que conhece das pessoas (de todas elas), que aprendeu novas culturas, novos e bons hábitos, conheceu história (de todos os tipos), que estudou muito e se especializou em algum assunto, que aprendeu e adquiriu bom gosto e que toda a imensidão percorrida lhe mantém com os pés colados ao chão e à sua história e diante de tudo isso, tornando-se um exímio navegador do universo.

     Me encanta quem sabe navegar (não estar só por alguns instantes no mundo em que pertenceu e com pessoas que ficaram), mas sim estar por inteiro em essência em sua nova vida peneirada pelos sabores das experiências.

     Me encanta quem usa a flexibilidade, a tolerância, a empatia exigidas pela vida no passado na nova vida do presente, tão rica e tão suprema, sem bolha, com grandes portões abertos em seu novo quintal florido.

     Tornar-se acessível às pessoas de ontem e de hoje e desfrutá-las como a vida permite com essência.

Fabi_Fev2016

Pintou-me



Pintou uma vida
Muitas emoções
Pintou uma mensagem
De dois corações


Pintou o que tornei
O que tá dentro e fora
Pintou tudo que refiz e desfiz
O que deixei e o que sou agora
  

Pintou o que não está escrito
Nem dito, nem ditado
Pintou até as bordas
De tudo o que foi transformado
  

Pintou em poucos traços
Uma morte e um renascimento
Pintou passo a passo
Um mar, agora sem tormento
  

Pintou em preto e branco
Olhando de perto, uns riscos aqui e outro acolá
Pintou e preencheu de um tanto
Uma história sempre a contar.


 Fabi_Set_2009

Conto do Começo


Vou contar uma história
Que aconteceu aqui bem perto
Do Coração Solitário
E do Coração Inquieto

Cada um assim bem feito
Crescido, vivido e aprendido
Desde o horizonte sentido
Até tudo o que prende ao peito

Ao contrário das histórias
Onde cenas acontecem na floresta
Essa aqui diz da vida
Onde tudo começou numa festa

O Coração Solitário
A quem muito te interessa
Contou de minutos a segundos
De um dia que não passou às pressas

Já o coração inquieto
Ao encontro tão esperado
Preparou da alma ao próprio coração
O melhor sorriso a ser dado

E os dois seguiram então
Na dança da sedução
Entre goles encontros e olhares
Os sonhos vindos aos pares

Como em um reencontro
Tanta coisa a ser dita e ouvida
Cada um conta seu conto
De duas vidas muito vividas

O Coração Solitário
Põe-se aqui a contar
A sua parte da história
A quem quiser escutar

Você, Coração Inquieto
Que muito tem a ensinar
Trilha por uma vida um tanto arredia
Que poucos têm o mesmo peito para encarar

Você, Coração Inquieto
Que fez 20 dos meus 30
Pintou de novo o que estava cinza
E fez chegadas de muitas partidas

Fez de um coração solitário
Pouco torto, enrijecido e colado
Encher-se de vida, de nós e de um tanto
Como a muito não havia lembrado

E ao Coração Solitário
Ao vê-lo tão inquieto
Correu a dar-lhe a mão
Colocou-te assim bem perto

E assim constroem sua história
Coragem, cuidado e tropeços
Tendo um tesouro a tal preço
Fazem uma dupla de peso

E como a quem relata
Um conto mais vivido que contado
Não atribuo um fim a essa história
Pois o que ouviu aqui está apenas começado

Aos Corações Ouvintes
A que cada um, um nome é dado
Deixo aqui meu recado
Que é de tamanho bom grado

Ao Coração Inquieto
Que me põe a escrever
Esse poema “arretado”
Disfarço a vergonha
Desse sentimento derramado

Porém, se de tudo deveras
O sentimento que abordo
Faço do mundo a platéia

E grito o amor que transbordo.

Fabi_Ago2009

Conto Continuado


E para celebrar a vida
Como a muito tem sido contado
Continuo esse poema
A quem de direito foi dado

Para contar esse outro Conto, o Continuado
É preciso se lembrar de outros tantos terminados
Por isso amiga, não poderia ser diferente
Não falar da gente!

Aproveito essa prosa
De tantos novos amigos e trova
Para falar de outro tesouro
Mais rico do que ouro

Pra você minha amiga
Falo esses versos simples, mas sinceros
Sei que já sabem de tudo o que agradeço
Homenagear a ti, assim não tem preço

Trago no peito e em breve... na lembrança
De tudo o que vivemos há pouco... não quando criança!
Risos, lágrimas, bagunças, experiências trocadas
Dias longos e conversas de noites enluaradas!!

Sei que sem querer, temos quase uma década de amizade
Não quero nem ver o tamanho dessa saudade
E se hoje podemos ir por outros caminhos que nos conte
É porque aprendemos a dar as mãos de longe

Nesta data de comemorações
Onde o trem da vida maneja suas composições
Comemoramos tudo o que deixamos e tornamos
De cada pedacinho preenchido em nossos corações

Você minha amiga
Que se fez tão especial
Tornou-se minha família
Um bem querer incondicional

Fizemos música, sonhamos com a fama
Nomeamos o sofá verde, falamos de quem se ama
Muitos amigos, de jantares a Sarau
Aprendi a dançar com essa minha perna de pau!

E dos tesouros da vida
Esse aqui vale a pena
Que me permitiu nessas idas
Uma vivência nada pequena

Amigo que é amigo
Não se escolhe, se reconhece
Sei que de muitos
Tento ser quem te merece!

Fabi_Ago2009

domingo, 1 de maio de 2016

Domingo a tarde.



E ela parou para e em mim
Cessou-me às tuas cores e dissabores
Aos teus As e todo o abecedário

Irredutível a que?
A vida segue, bailo.
Porque tatuou-me, 
Sim, deveria ser uma pergunta
Mas meu coração afirma

Certezas que desconheço
O número de anos e experiências 
É incrivelmente desproporcional 
À infinidade de novos sentimentos
Em eterno aprendizado

Aprender e aprender é a matriz da vida
O Universo nos atende a cada desejo
Meu peito aberto onde as ondas se quebram
Sem dó, sem piedade alguma da entrega do novo conhecimento

Dous alguns passos para trás no momento do impacto
A areia não ajuda, bamboleio, curvo meus dedos
Agarro a areia que desliza sob meus pés
Comparsa da onda que arrebenta em meu peito
Mira meu coração, não me alivia em nada

Sigo aprendendo, por amor à vida
Por amor ao universo, à espiritualidade
De imensidão infinita
Conecto-me à ela através da vida
Da vida que não me recuso a viver

Do mundo que não me recuso a vivenciar
Mesmo que seja por alguns minutos
Uma noite qualquer que me surpreende
Alguns dias que coleciono
Alguns períodos de semanas, meses ou anos

Me entrego e ela cessou-me.
Fabi 02.mai.2016

terça-feira, 19 de abril de 2016

Troca-se




Troca-se uma atencão bem intencionada
Daquelas de brilhar os olhos da donzela
Que passa com seu sorriso mais pelo jardim
Me encantando entre acácias e azaléias

Troca-se abraços, apertados e aconchegantes
Daqueles que curam pesadelos e temores
Principalmente das dores da alma
Dos amargos vida, amores e dissabores

Troca-se olhares cuidadosos
São eficientes nos momentos de silêncio
Daqueles distantes e despretensiosos
Que desvendam o que não foi dito em um milênio

Troca-se mãos fortes e delicadas
Para os carinhos de bem querer
Que esquentam os desejos ardentes
E que passam segurança para você vencer

Troca-se beijos cheios de segredos
Daqueles que tiram o folego e o tino
Calam quando as palavras tornam-se fúteis
Selando os desejos mais íntimos 

Troca-se um coração ardente
Daqueles imensos e aconchegantes
Que perdoa, ama, luta e sente
Como nunca tiveste visto antes

Troca-se a eterna paciência do sentir
que faz da cumplicidade um alicerce
Construindo imponentes castelos
Para vivermos a felicidade que me deste

Troca-se
Meu amor quente à fagulhas mil
Quando ainda sim a noite lhe traga o frio
Ao querer esfriar o que seu coração mais acredita
Eu esteja aqui para aliviar-te horas a fio.


                                                                                                                                                                                         Fabi  20.abr.2016

O Velho e o Novo



Diante do futuro que eternamente está por vir.
O mundo, este vasto mundo dentro de mim, encontra-se ao velho mundo afora, de um horizonte a perder de vista. Como no encontro das águas, só que neste, águas revoltas em sua alma.
Delicada assim como o véu das virgens que se apressam para mais um dia de sua devoção. Ahn, a fé.
Fé esta que me enche de vida enquanto eu vejo a vida dançar provocante à minha frente.
Tamanha sensibilidade que me empodera das descobertas nunca antes tocadas em corações alheios, me tona frágil, assim, como aquele velho véu das virgens. Frágil quando vejo em seus olhos contrariarem as palavras que saem de sua boca.

Cheia de sonhos, encantamentos e olhos brilhantes para o futuro.
Futuro este que assusta ao chegar robusto, assoviando como uma garota peralta, saltitante, vinda de longe e enlouquecida para chegar, carregando uma grande parte de seus pedidos d´alma em sua singela carruagem. Porque para pedidos delicados e grandiosos, se faz necessário doses moderadas de elegância e de grata surpresa, que alegra primeiramente aos ouvidos com a notícia, depois aos seus olhos, amendoados e brilhantes, que ora fogem, ora me encontram ao meio da noite e da chuva que nos saúdam o nosso encontro das águas.

E não pouco importante o tal mundo lá fora, que me apresenta um novo mundo aqui dentro, quase um Big Bang, e que em poucos, até ela, esta alma desgarrada da fé de um mundo e um futuro tão sonhado, regado à infinitas possibilidades de ser um ser-humano-novo-em-seu-próprio-mundo-velho, se opõe, inexplicavelmente aos olhos torcedores, que se arregalam sem respostas, marejam, fecham, abrem, marejam, fecham e desviam-se.

Desafia as leis da obviedade, firmemente, corajosamente. Abre-se o caminho na multidões de corações alados, todos em respeitosa condolência ao ver Eros, assim, desafiado tão singelamente pela bravura de fazer-se mundo de si só.
Fabi  19.abr.2016

domingo, 10 de abril de 2016

Do que não é raso.





Eu não tenho uma letra sequer
Para combinar com algumas outras enfim 
E formar as palavras que preciso
Para traduzir o oceano que há em mim

Trasbordo

Fecho os olhos e apenas sinto
Meus pensamentos viajam na velocidade da luz
Mal consigo acompanhá-los
Solto meu corpo e deixo-o para ver o que me conduz

Transbordo

Questiono o Universo: Porque tanta crueldade?
Faz de mim azes, rimas e versos
Rouba-me as respostas que necessito
E faz de meu horizonte um tanto transverso

Transbordo

Minha alma segue amordaçada e impotente
Diante de tamanha coragem em abrir mão da felicidade
Silencio os gritos de bem querer dentro de mim
E assisto os sentimentos se desfazendo em saudade

Transbordo em mim.
Fabi 10.abr.2016

terça-feira, 29 de março de 2016

Ela e "ela"




Ela, é a flor da noite
Enquanto "ela", cultiva o jardim
Ela passa e não percebe
O quanto "ela" rega, enfim

Ela, permanece ausente
Enquanto "ela", lhe busca em seus pensamentos
Ela passa e não percebe
A magia preparada para aquele momento

Ela, menina-moça, se posiciona nas muralhas imponentes de seu castelo
Enquanto "ela", se abre para viver sem barreiras, o melhor da vida
Ela passa e não percebe
Que o melhor da volta, é a boa cia da ida

Ela, guarda seu tesouro e se distancia do "viver de fato"
Enquanto "ela", demonstra que pode cuidar do que é mais valioso
Ela passa e não percebe
Que só tem valor, quando ao ourives certo seu tesouro é exposto

Ela, usa da sinceridade não muito sincera para viver as "coisas do coração"
Enquanto "ela" busca lê-la, alma, corpo e coração, por completa
Mas Ela passa e não percebe
Que a felicidade bate à porta dela

Ela, cheia de teorias em busca da fórmula da felicidade
Enquanto "ela", mistura deliciosamente experiência e sentimentos
E de novo, Ela passa e não percebe
Quão bom deixar-se saborear pelos beijos e acalentos

Ela, diz que busca esse ou aquele coração
Enquanto "ela", prefere observar cuidadosamente os corações que cruzam seu caminho
Ela passa e não percebe
Que ao seu lado está um desses corações transbordando de carinho

E Ela, de passar a vida de olhos fechados para mentalizar seus ideais
Enquanto "ela", para as coisas da vida, de olhos bem abertos e atentos
E novamente Ela passa e não percebe
Que a verdadeira felicidade é vivida na entrega e cultivada em um ímpar momento
E que, Ela, por qualquer motivo que seja, tem deixado passar a vida pelos olhos de seu coração frágil e desatento.

Fabi 29.mar.2016

sábado, 28 de novembro de 2015

SEM MAIS



Eu supero medo da chuva
Do céu que não muda
Da distância que assombra
De não ter "o certo" teu

Supero a altura que invade
Os comentários covardes
O dedo em riste
Alegre ou triste

Supero o futuro incerto
Do que eu não toco e não pego
Do vazio no peito
Dos olhos que não são mais meus

Supero os sonhos não vindos
Talvez nunca vividos
Desejados e sentidos
Nunca lidos, tão pouco tidos

Supero enfrentar junto
Das dores do mundo
Do outro e seu mundo
Mesmo abrindo mão do meu

Mas não tem jeito
Não supero os detalhes
Daqueles que ferem
Aos cacos bandidos
De minha alma que expele
Em retalhos e sem rimas
De um futuro mudado
Por um presente tão inesperado

Que transforma
Que transborda
Que não forma
Que não nasce mais

Do colorido que se vai
Da terra que fica
Sem as flores
Sem sabores
Sem amores

Sem mais.

Fabi 28.11.2015