sexta-feira, 11 de julho de 2008

JEITO DE SER

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, estejacada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até ahora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quandonão há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passamlonge da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de vozao se dirigir a frentistas.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentemprazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece,é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que prometee, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunteantes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação,mas tentar imitá-la é improdutivo.A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independede status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, queacha que com amigo não tem que ter estas frescuras.

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é quenão irão desfrutá-la.

Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

Marta Medeiros

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